
A Escola Estadual Indígena Felipe Camarão, localizada na área indígena em Vilhena, desenvolveu durante o mês de março, período dedicado às homenagens às mulheres, um projeto pedagógico inspirado na obra clássica “Iracema”, do escritor José de Alencar.
A iniciativa teve como objetivo valorizar e homenagear as mulheres indígenas da Aldeia Felipe Camarão por meio de uma releitura da obra através da fotografia.
Os estudantes da unidade são atendidos pelo sistema de Mediação Tecnológica, projeto educacional do Governo de Rondônia que busca levar educação pública de qualidade às comunidades mais distantes, permitindo que os alunos estudem dentro da própria área indígena.
Dentro dessa modalidade, todos os estudantes participam do Clube de Leitura, atividade inserida no projeto “Todo Dia de Ler”, da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
O Clube de Leitura tem como finalidade estimular o interesse dos estudantes pela leitura e ampliar o repertório sociocultural dos alunos do Ensino Médio.
A proposta também contribui para a formação crítica dos estudantes e serve como referência para a produção textual, auxiliando na preparação para avaliações, concursos e exames como o Enem.
Além disso, o projeto busca aproximar os alunos das obras clássicas da literatura brasileira, bem como de produções contemporâneas, reforçando a importância da leitura no cotidiano.
A proposta parte do princípio de que grande parte do conhecimento produzido pela humanidade está registrado por meio da escrita, cabendo a cada leitor dedicar tempo para acessar esse universo de saberes.
Desde o início do ano letivo, os alunos tiveram momentos dedicados à leitura do romance “Iracema”, publicado em 1865 por José de Alencar e considerado um dos principais clássicos da literatura indianista brasileira.
A obra narra a história da personagem Iracema, descrita pelo autor como “a virgem dos lábios de mel”, destacando sua beleza e simbolismo na formação cultural do país.
A partir dessa leitura, surgiu a proposta de realizar uma releitura da obra por meio da fotografia, transformando mulheres da própria aldeia nas “Iracemas” contemporâneas da comunidade.
Muito além da personagem criada por José de Alencar, as homenageadas foram mulheres da própria aldeia, entre elas Angela, Andreia, Eliane, Elenice, Eloisa, Lisiane, Lucinalva, Lurdes, Luana, Pâmela e Rosangela. Segundo os estudantes, são mulheres fortes que mantêm viva a cultura, os valores e as tradições herdadas dos povos originários.
Entre elas está a anciã e matriarca da aldeia, Dona Lurdes Sabanê, reconhecida na comunidade pelo trabalho de preservação da língua e da cultura do povo Sabanê.
A participação da matriarca no projeto foi considerada um dos momentos mais marcantes da atividade, simbolizando a continuidade da identidade cultural entre as gerações.
O projeto foi desenvolvido pela professora de Língua Portuguesa e especialista em Teoria Literária e Gestão Escolar, Fátima F. Azevedo, e contou com a adesão de todos os professores da escola, entre eles Suerli Leite, Luiz Carlos e Edson Sabanê, além da participação de moradores da aldeia.
De acordo com a equipe escolar, a mobilização da comunidade reforça a importância da valorização da cultura indígena e do papel das mulheres na preservação das tradições.
O Extra de Rondônia apurou ainda que a Gerência de Educação Indígena em Vilhena está sob nova coordenação, tendo à frente Maciel Gois e Valdair Sabanê.
Mesmo estando recentemente nas funções, os gestores vêm se destacando pelo empenho e dedicação no acompanhamento das escolas indígenas sob sua jurisdição.
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