terça-feira, 13 de outubro de 2026.

“VAI COM DEUS”: filme gravado às margens do rio Madeira reúne 48 profissionais e chega ao YouTube; assista

Empresário Paulo Andreolli e ator Anselmo Vasconcellos / Foto: Divulgação

A produtora Rondônia Cinematográfica disponibiliza para o público geral a íntegra do filme de suspense dramático “Vai com Deus” no canal oficial do YouTube.

O projeto audiovisual de 15 minutos foi gravado nas margens do rio Madeira e reúne atores consagrados do cenário brasileiro e novos talentos de Rondônia em uma narrativa focada em poder, silêncio e resistência nas comunidades do interior.

A obra cinematográfica tem direção de Neto Cavalcanti e toma como base a crônica “Zé dos Lírios – o papa defunto”, escrita pelo músico Altair Santos. O enredo constrói a atmosfera da localidade de Paraíso, onde o misterioso barqueiro Zé dos Lírios é chamado para transportar os mortos do vilarejo em sua embarcação fúnebre, ao mesmo tempo em que a comunidade enfrenta os abusos cometidos pelo Coronel Quinca.

O idealizador e roteirista do projeto, o jornalista e empresário Paulo Andreoli, destaca o impacto inicial que o texto exerceu na concepção da obra cinematográfica. “Quando li o texto, percebi, de imediato, que tinha em mãos um excelente material para produzir um curta-metragem”, afirma Andreoli.

Ao detalhar a escolha de disponibilizar o curta diretamente na rede, o produtor reforça o compromisso de tornar o trabalho acessível a toda a população: “Esse é um filme produzido em Rondônia e é importante que o povo de Rondônia tenha oportunidade de assistir gratuitamente – afinal, para isto servem os incentivos e financiamentos para a cultura”, explica.

Na pele do antagonista principal, o ator Anselmo Vasconcellos ressalta a qualidade estética e a maturidade da produção audiovisual executada no Norte do país. “É uma obra cinematográfica robusta, com uma pegada dramatúrgica densa, mas com a forma poética do contar jornalístico. É o tipo de escrita que namora com o realismo mágico e considera a normalidade social de maneira contundente. É uma denúncia sobre a violência das mais prodigiosas que vi”, declara.

A perspectiva do espectador é conduzida pela atuação do jovem Yan Kalel Sembarski, que descobriu o teatro no ambiente escolar em Porto Velho antes de estrear no cinema. Yan enfatiza o rigor exigido para equilibrar a interpretação exigida pelas lentes e a densidade da história. “No teatro, a gente se expressa demais, faz muito gesto. No cinema, a gente acaba não fazendo tanto. O Neto puxava muito o meu pé por causa disso, me fazia entender do jeito dele. Foi uma experiência bem legal, aprendi a não me expressar de forma tão exagerada e achar o meio-termo”, relata.

Ele define ainda o envolvimento emocional durante as gravações: “É um suspense que pega bastante. Eu mesmo me peguei chorando gravando, porque é uma história que dá umas pontadas no coração logo no começo”. O cenário das filmagens foi estruturado na comunidade São Sebastião, onde a produção montou um bar cenográfico e adaptou uma embarcação típica da região amazônica em barco fúnebre.

A equipe reuniu 48 profissionais e trabalhou em jornadas gravadas exclusivamente durante a madrugada para reforçar o tom dramático da iluminação natural e das águas do rio Madeira.

A produção contou com financiamento do Governo Federal por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG), em convênio executado pela Sejucel sob o Edital 001/2024.

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