
O governo do Japão deu mais um passo no plano de criar uma “capital reserva” para ser utilizada em situações extremas que tornem Tóquio incapaz de exercer suas funções administrativas.
A iniciativa busca garantir a continuidade do funcionamento do Estado em caso de grandes desastres naturais, como terremotos de grande magnitude ou uma eventual erupção do Monte Fuji.
A proposta, conhecida no país como “fukushuto” (ou “vice-capital”), vem sendo discutida há anos e ganhou força após receber apoio tanto do Partido da Inovação do Japão quanto do governista Partido Liberal Democrata.
Quem pode concorrer?
Recentemente, o gabinete da primeira-ministra Sanae Takaichi definiu os critérios que cidades interessadas precisarão cumprir para pleitear o status de capital alternativa.
De acordo com as regras divulgadas, a cidade escolhida deverá estar localizada em uma província que concentre pelo menos 1,2% da população japonesa e represente ao menos 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Além disso, o local deverá ficar suficientemente distante de Tóquio para não ser afetado pelo mesmo desastre que eventualmente atinja a capital atual.
Também será necessário contar com infraestrutura capaz de abrigar parte significativa da estrutura administrativa do governo central.
Candidatos fortes
Os critérios praticamente eliminam Yokohama da disputa, já que a cidade está muito próxima de Tóquio.
Em contrapartida, quatro províncias (estados) aparecem como as principais candidatas a receber a estrutura de respaldo: Osaka, Aichi, Fukuoka e Hokkaido. Caso avancem no processo, as cidades de Osaka, Nagoya, Fukuoka e Sapporo despontam como possíveis sedes da futura vice-capital japonesa.
O debate envolve não apenas questões de segurança nacional, mas também interesses econômicos e políticos.
O distrito de Kasumigaseki, em Tóquio, concentra a maior parte dos órgãos governamentais do país e abriga mais de 40 mil servidores públicos.
Interesses políticos
Embora o projeto não preveja replicar integralmente toda a estrutura existente na capital, a criação de uma cidade reserva exigirá investimentos em infraestrutura e pessoal, o que pode gerar benefícios econômicos relevantes para a localidade escolhida.
O governo japonês deverá passar o próximo ano elaborando as diretrizes de funcionamento da futura capital alternativa para que possa apresentar um plano detalhado antes de definir quais cidades receberão o status de vice-capital.







