
O prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro (Podemos), saiu destas eleições como um político visionário e com leitura precisa do jogo estadual.
Enquanto boa parte da classe política ainda tratava como favas contadas a eleição de Adailton Fúria (PSD), então líder nas pesquisas, Flori foi na contramão.
Afirmou que o colega de Cacoal estava “enturmado com a velha política”, ao apontar que sua campanha era coordenada pelo ex-senador Expedito Júnior, com mais de quatro décadas de disputas eleitorais.
Flori pretendia, inicialmente, ser candidato a governador pelo Podemos. Foi atropelado por um movimento interno: após seu lançamento, o deputado estadual Delegado Camargo também se declarou candidato ao Palácio Rio Madeira. Flori recuou, mas sem romper e nem deixar o partido.
Rápido no gatilho, articulou seis prefeitos do Cone Sul e fechou apoio em bloco a Marcos Rogério (PL) para o governo – chapa que passou a ter, justamente, Camargo como vice. A aposta foi vencedora. No xadrez local, a outra jogada de Flori foi lançar o secretário de Obras, Laércio Torres (Avante), para deputado estadual. A escolha contrariou aliados, entre eles o viceprefeito Aparecido Donadoni (Republicanos), que esperava o apoio da prefeitura. Flori bancou Laércio. O resultado expôs a fragilidade dos opositores.
Donadoni obteve apenas 1.094 votos, mostrando pouca densidade eleitoral própria. Restava a dúvida se Laércio era viável. Flori assumiu pessoalmente a coordenação, orientou a campanha e o projeto ganhou tração. Laércio já fazia uma campanha competitiva quando sofreu um grave acidente de carro e perdeu os movimentos das pernas. A tragédia manteve o grupo coeso e gerou forte comoção em Vilhena, impulsionando sua eleição como o deputado estadual mais votado dentro do município, com mais de 12 mil sufrágios.
Flori também atuou na campanha de Fernando Máximo (PL) ao Senado, o mais votado no estado. Apoiou ainda Silvia Cristina (PP), que terminou em terceiro na disputa pelo Senado – a única “derrota” do prefeito no pleito.
Para a Câmara Federal, Flori ignorou os nomes genuinamente vilhenenses e apostou no médico Jaime Gazola, ex-vereador de Porto Velho. O candidato retribuiu com 2.424 votos só em Vilhena e garantiu a eleição. Na soma do placar, Flori saiu maior do que entrou.










