
A Polícia Civil do Estado de Rondônia, por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Vilhena, deflagrou na manhã desta sexta-feira, 29 de maio, a Operação “Joio”.
A ofensiva cumpre mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara de Garantias da Capital, com o objetivo de desarticular um esquema organizado de furto, receptação e comercialização ilícita de grãos produzidos na região do Cone Sul.
No total, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços estratégicos localizados nas cidades de Vilhena, Chupinguaia e Porto Velho.
Os alvos da operação incluem um empresário/produtor rural, um classificador de grãos e ex-funcionários do próprio armazém de onde o produto era desviado. A ação visa recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos de prova.
ENTENDA O CASO
As investigações tiveram início em março de 2025, após a Polícia Civil receber a denúncia de que quatro cargas de soja e duas de milho haviam sido furtadas de um armazém situado no município de Chupinguaia. A partir dos dados fornecidos pela vítima, os agentes conseguiram mapear a dinâmica do grupo criminoso.
O esquema funcionava por meio do aliciamento de funcionários dos armazéns. Esses trabalhadores facilitavam o acesso dos criminosos às balanças de pesagem de caminhões que utilizavam, em tese, ordens de carregamento legítimas emitidas por transportadoras. Dessa forma, os grãos saíam do armazém da vítima sem a devida nota fiscal.
EMPRESA FANTASMA E NOTAS “FRIAS”
Para dar aparência de legalidade ao produto furtado, as cargas eram posteriormente “esquentadas” com notas fiscais emitidas por uma empresa de fachada. Segundo a polícia, a empresa existia apenas no papel: possuía CNPJ ativo, mas nunca operou fisicamente no endereço indicado nos registros cadastrais da Receita Federal, da Junta Comercial e da Prefeitura de Vilhena.
Nesse esquema, a empresa fantasma emitia as notas fiscais dos grãos desviados diretamente para um empresário e produtor rural baseado em Porto Velho. Este, por sua vez, repassava a soja e o milho para terceiros no mercado, comercializando os produtos como se tivessem sido cultivados e colhidos em sua própria fazenda.
De acordo com a Polícia Civil, outras diligências investigativas continuam em andamento com a finalidade de apurar e responsabilizar individualmente todos os envolvidos no esquema de fraude e furto de grãos na região.












