
Declaração da deputada estadual eleita Fátima Cleide (PT) sobre a relação entre a população e a Polícia Militar (PM) provocou reações de órgãos de segurança pública, entidades representativas dos militares e parlamentares eleitos em Rondônia.
Durante entrevista a um programa de televisão apresentado pelo jornalista Fábio Camilo, Fátima afirmou que “a população tem muito medo da Polícia Militar”.
Ao comentar a realidade enfrentada por jovens pobres e moradores da periferia, a petista acrescentou: “nossos jovens ou estão presos ou estão no cemitério”.
As declarações repercutiram no meio político e entre representantes das forças de segurança do Estado, gerando manifestações contrárias às críticas direcionadas à atuação policial.
A Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) divulgou uma nota de repúdio. No posicionamento, a pasta contestou generalizações sobre o trabalho da Polícia Militar e ressaltou o compromisso dos profissionais com a proteção da sociedade e a preservação da ordem pública.
A reação também partiu de entidades representativas dos militares, como a Associação dos Oficiais da Polícia Militar de Rondônia (ASOF) e a Associação dos Praças e Familiares da Polícia e Bombeiro Militar do Estado de Rondônia (Assfapom), que se manifestaram em defesa dos integrantes das corporações.
O episódio trouxe novamente ao debate público a relação entre a Polícia Militar e as comunidades periféricas, especialmente no que diz respeito às abordagens policiais, à segurança dos jovens e à confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública. Leia, abaixo, a nota de repúdio:
NOTA DE REPÚDIO
A Polícia Militar de Rondônia (PMRO) repudia as declarações que classificam a Corporação como “letal” e afirmam que a sociedade tem medo da polícia. Generalizações dessa natureza desconsideram a complexidade do trabalho policial e a realidade enfrentada diariamente pelos profissionais que atuam na proteção da população, no enfrentamento à criminalidade e na preservação da ordem pública.
A sociedade não teme sua polícia: recorre a ela cada vez mais. Entre janeiro e setembro de 2026, foram registrados 242.757 atendimentos, um aumento de 22,43% em relação ao mesmo período de 2025, além de 95.113 pessoas abordadas. De acordo com a Corregedoria-Geral da Corporação, menos de 0,5% desses atendimentos resultaram em reclamação. São números que expressam confiança, não temor.
A Corporação não tolera execuções nem qualquer conduta que contrarie a lei. Nos confrontos, os policiais militares enfrentam situações extremas, nas quais arriscam a própria vida para proteger a de terceiros e conter ameaças concretas. O preparo técnico, o treinamento e a atuação profissional são fundamentais para que esses profissionais enfrentem tais circunstâncias e retornem em segurança para suas famílias. O nível de força empregado em uma ocorrência é determinado pela conduta e pela ameaça representada pelo agressor, dentro dos limites legais, e não por escolha do policial.
A segurança pública, como estabelece a Constituição Federal, é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. A Polícia Militar integra um sistema em que toda ocorrência de confronto com resultado morte é investigada pela Polícia Civil, acompanhada pelo Ministério Público e apreciada pelo Poder Judiciário. Até o momento, nenhuma dessas ocorrências resultou em condenação de policial militar. Classificar a Corporação como “letal” é, portanto, desconsiderar o trabalho dessas instituições, que apuram cada caso com independência. O aprimoramento da segurança pública depende desse esforço compartilhado, e não de generalizações.
A Instituição reafirma que não está acima da lei, reconhece a importância da transparência e da apuração de eventuais irregularidades e defende que o debate sobre segurança pública seja conduzido com responsabilidade, respeito às instituições e compromisso com os fatos. A Corporação não aceita rótulos generalizantes que desconsiderem a atuação de seus profissionais e o serviço prestado diariamente à sociedade rondoniense.
Polícia Militar de Rondônia – Servir e Proteger.









