domingo, 08 de novembro de 2026.

Após acidente que mudou sua vida, vilhenense Sandya Ribeiro transforma luta e esperança em relato no livro “Despertar”

Sandya é Bacharel em Direito e possui outros curso de extensão / Foto: Divulgação

Aos 28 anos, Sandya Ribeiro Belém tem uma história marcada por mudanças profundas, desafios e uma determinação que ela procura levar para todas as áreas da vida.

Natural de Vilhena, a jovem teve sua trajetória transformada após sofrer um grave acidente em 2015, quando voltava do trabalho com o pai.

Anos depois, encontrou nos estudos, na reabilitação e na busca por novos conhecimentos caminhos para continuar realizando seus projetos.  Sua história agora integra o livro “Despertar – A minha história tem valor”, idealizado pela mentora Lenir Costa.

Em entrevista ao Extra de Rondônia, Sandya falou sobre a experiência de compartilhar sua trajetória e a mensagem que deseja transmitir a outras mulheres.

Antes do acidente, Sandya também teve experiências no universo da beleza e dos concursos. Foi modelo em Vilhena e conquistou o título de segunda princesa em 2014. No ano seguinte, quando se preparava para passar a faixa, sofreu o acidente que mudou completamente sua rotina.

Ela conta que voltava do trabalho quando o pai foi buscá-la e os dois se envolveram no sinistro. A partir daquele momento, precisou enfrentar uma realidade diferente daquela que havia planejado.

Segundo Sandya, compreender o que havia acontecido não foi fácil, mas, com o passar do tempo, aprendeu a reconhecer suas limitações e a buscar alternativas para seguir em frente. “Não adianta eu querer andar e ficar sentada esperando cair do céu, porque não vai cair do céu. Se eu quero andar, tenho que levantar e ir atrás, fazer fisioterapia, fazer tudo que está ao meu alcance”, afirma.

ESTUDOS E NOVOS CAMINHOS

A continuidade dos estudos se tornou uma parte importante dessa caminhada. Sandya é formada em Direito, possui seis cursos de extensão em diferentes áreas e também tem formação como perita grafodocumentoscópica e papiloscopista. Além disso, tem formação em psicanálise e especializações em neurociência, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

A jovem teve sua trajetória transformada após sofrer um grave acidente em 2015 / Foto: Divulgação

Sandya já trabalhou como laboratorista óptica. Atualmente, está em casa, dedicada aos cuidados com a saúde e à continuidade de seu tratamento. Para ela, a formação acadêmica representa uma conquista construída com persistência. Sandya acredita que os objetivos dependem de iniciativa e dedicação, mesmo quando o caminho exige adaptações.

A jovem também relata que residiu durante quatro anos em Cuiabá para realizar tratamentos. Atualmente em Vilhena, aguarda a possibilidade de retornar à capital mato-grossense para dar continuidade à fisioterapia em uma clínica especializada em reabilitação neurológica.

Ao falar sobre os exames realizados durante o tratamento, Sandya relata que recebeu de um neurologista a informação de que teria perdido cerca de 60% da capacidade cerebral, e que nem toda a parte restante apresentaria funcionamento integral.

Ela destaca, porém, que sua realidade cotidiana não corresponde às limitações que, segundo conta, poderiam ser presumidas a partir dos exames. “Pelos exames, eu seria cega, surda, muda, sem qualquer tipo de movimento. Mas isso eu não sou”, relata. A declaração expressa uma das principais mensagens que deseja transmitir: não permitir que as limitações sejam o único parâmetro para definir o que uma pessoa pode ou não realizar. 

UMA MENSAGEM PARA OUTRAS MULHERES

A oportunidade de participar do livro surgiu por meio de uma relação antiga com a família de Lenir Costa. Sandya conta que conhecia o marido da mentora desde a infância e que, durante uma visita para tratar de um assunto relacionado ao seu tablet, conversou com Lenir sobre o projeto. Foi quando surgiu o convite para integrar a obra.

Ela recebeu a oportunidade com alegria, principalmente pela possibilidade de dividir sua experiência e contribuir para que outras pessoas encontrem motivação diante de suas próprias dificuldades.

Na reflexão que preparou para o livro, Sandya destaca a importância de enfrentar os problemas com coragem e reconhecer o valor da vida. Para ela, dificuldades e momentos dolorosos fazem parte da experiência humana, mas não devem apagar a esperança.

A mensagem que deseja deixar especialmente às mulheres é a importância do amor-próprio. “Elas devem se amar da forma que estão, sem ficar procurando o amor dos outros em si. Se você se amar em primeiro lugar, não tem obstáculo que impeça de realizar seus sonhos”, afirma.

Sandya resume sua maneira de encarar a vida com uma frase que acompanha seu relato: enquanto há vida, há esperança. Mesmo diante das limitações físicas, ela afirma que continua tendo planos, objetivos e oportunidades para buscar aquilo que deseja.

O livro “Despertar – A minha história tem valor” reúne relatos de 30 mulheres de diferentes localidades. O lançamento está previsto para o dia 14 de novembro de 2026, em Vilhena.

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