quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026.

Projeto educação solidária “A Caminho da Universidade” comemora 22ª edição com treze alunos aprovados no ENEM em 2025 em Vilhena

Presidente José Moreira Lima, professora Maria Cristina e aluno Jhonnatan Oliveira Paixão / Foto: Extra de Rondônia

O projeto educação solidária “A Caminho da Universidade”, desenvolvido pela Associação de Moradores dos Setores 8 e 9, alcançou mais um resultado expressivo em sua 22ª edição, com 13 alunos aprovados no ensino superior.

A iniciativa foi apresentada em entrevista ao Extra de Rondônia pelo presidente da associação e coordenador-geral do projeto, José Moreira Lima, popularmente conhecido como “Lima”, pela professora de redação Maria Cristina Leão da Silva Ferreira e pelo aluno Jhonnatan Oliveira Paixão, aprovado com a maior nota dos inscritos no projeto.

Em entrevista, o presidente da Associação de Moradores dos Setores 8 e 9 (ASMON), destacou a relevância do projeto ao longo de mais de duas décadas de atuação no município.

Segundo ele, ao longo de 21 anos, o projeto já possibilitou que 1.710 alunos ingressassem no ensino superior. “O A Caminho da Universidade é um projeto construído com muito esforço coletivo e compromisso social. Ele nasceu para oferecer oportunidade a jovens que muitas vezes não teriam acesso a um curso preparatório”, afirmou.

Lima explicou que o projeto é financiado pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA), com deliberação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), além de contar com apoio da Prefeitura de Vilhena.

O ingresso no projeto ocorre por meio de prova seletiva. Do total de vagas, 30% são destinadas prioritariamente a estudantes dos setores 8 e 9, sendo o restante aberto a jovens de outras comunidades. As escolas contempladas com essa cota são a Escola Maria Arlete Toledo e a Escola Tiradentes.

Durante o período de preparação, os alunos recebem alimentação, camiseta e todo o material pedagógico, incluindo apostilas, sem nenhum custo. As aulas são realizadas em salas cedidas pela Escola Maria Arlete Toledo, em parceria com a SEDUC e com apoio da diretora Claudiane Costa.

A preparação tem duração média de sete meses, com início geralmente em maio e encerramento em outubro, pouco antes da aplicação do ENEM. Podem participar estudantes de 15 a 17 anos, além daqueles que completam 18 anos no ano vigente, desde que estejam cursando o segundo ou terceiro ano do ensino médio.

A professora Maria Cristina Leão da Silva Ferreira, formada em Letras e Inglês e especialista em redação, atua na área desde 2014. Convidada para integrar o projeto, ela acompanhou diretamente os 13 alunos aprovados.

De acordo com a professora, o trabalho foi intenso e contínuo. “Mesmo com encontros presenciais uma vez por semana, o acompanhamento era diário. Os alunos produziam textos, enviavam para correção, recebiam feedback e reescreviam, sempre focando nas exigências do ENEM”, explicou.

Maria Cristina afirmou que a metodologia aplicada teve foco na estrutura do texto dissertativo-argumentativo, trabalhando a macroestrutura, composta por introdução, desenvolvimento e conclusão, e a microestrutura, formada pelos períodos. A professora também trabalhou em sala com os alunos a grade das competências exigidas pelo Instituto Nacional de Educação Brasileiro, (INEP).

Ela ressaltou ainda a importância do repertório sociocultural. “O aluno precisa argumentar e apresentar repertório de qualquer área do conhecimento. Isso evita a fuga ao tema e fortalece a proposta de intervenção”, disse.

Sobre o tema do ENEM, a professora explicou que a prova sempre aborda um problema social brasileiro. Durante a preparação, trabalhou com os alunos temas sociais atuais e utilizou, inclusive, uma prova da PND, cujo tema era o envelhecimento da população — assunto que posteriormente apareceu no ENEM. Para ampliar o repertório dos estudantes, foram apresentados filmes como Up – Altas Aventuras, poemas de Cecília Meirelles, letras de músicas e referências teóricas.

Como orientação final, Maria Cristina deixou dicas aos estudantes que pretendem fazer o ENEM: prática constante da escrita, leitura ativa, estudo de redações nota mil de anos anteriores e domínio das competências da correção. “Esses fatores são determinantes para alcançar notas acima de 900”, reforçou.

Entre os alunos aprovados está Jhonnatan Oliveira Paixão, que relatou ter enfrentado dificuldades pessoais e familiares durante o período de estudos, conciliando trabalho e responsabilidades em casa. Segundo ele, o início da preparação foi marcado pelo falecimento de uma tia, responsável pelos cuidados dos avós, fazendo com que ambos passassem a morar com sua família. O avô é cego e a avó desenvolveu diversos problemas de saúde, tanto neurológicos quanto cardíacos, o que exigiu ainda mais dedicação no dia a dia.

“Eu estudava nos horários que conseguia, muitas vezes de madrugada. A professora sempre me ajudou, corrigia minhas redações e me orientava, mesmo quando eu mandava os textos tarde da noite”, contou.

Apesar da rotina exaustiva, o aluno alcançou uma das notas mais altas entre os alunos do projeto. Como resultado, foi aprovado no curso de ABI Ciências Biológicas, em uma universidade federal do Rio de Janeiro, em um processo seletivo com vagas disputadas em nível nacional, e também em Direito, pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), no campus de Vilhena.

Segundo ele, a estrutura de apoio oferecida pelas instituições federais foi fundamental para tornar o sonho possível, por meio de políticas de permanência estudantil, como auxílio-moradia, alimentação e transporte.

Como orientação aos estudantes que realizaram o ENEM, Jhonnatan destacou a importância de acompanhar atentamente os sites oficiais de ingresso no ensino superior, como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Programa Universidade para Todos (ProUni). De acordo com ele, é nesses portais que são divulgadas as datas de inscrição, chamadas e critérios para concorrer a vagas em universidades públicas ou a bolsas de estudo integrais e parciais em instituições particulares. “É fundamental ficar atento aos prazos e usar a nota do ENEM da forma correta para garantir a vaga”, ressaltou.

Ao deixar uma mensagem final aos futuros alunos, Jhonnatan reforçou que a dedicação diária é decisiva, mesmo diante das dificuldades. “Separar ao menos uma hora por dia para estudar, nem que seja de madrugada, faz diferença. Pode perder um pouco de sono, mas no futuro vale a pena”, afirmou.

Ao final, a coordenação reforça que o Projeto A Caminho da Universidade vai além da preparação para o ENEM, promovendo inclusão social, incentivo à permanência escolar e transformação de realidades por meio da educação. As inscrições para a próxima edição devem ocorrer a partir do mês de abril, com início das aulas previsto para maio.

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