sábado, 09 de maio de 2026.

SAÚDE: Vilhena consolida estruturação e dobra investimento em reabilitação e atendimento ao TEA

Cidade de Vilhena / Foto: Divulgação (PMV)

Vilhena consolidou em 2026 a estruturação de sua rede municipal de reabilitação e terapias especializadas.

Sob a coordenação da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS), o Centro Especializado em Reabilitação Dr. Nazareno João da Silva (CER IV) e a Associação de Pais e Amigos do Autista de Vilhena (AMAVI) passam por um movimento simultâneo de ampliação de equipes, oferta de novas especialidades médicas e expansão da capacidade ambulatorial.

O conjunto de medidas chega ao patamar inédito de mais de R$ 13,7 milhões por ano em recursos próprios — o maior investimento da história do município nessa área e praticamente o dobro do que vinha sendo aplicado em anos anteriores.

A nova fase do CER incorpora médicos e profissionais de nível superior em diversas categorias, organizados para atuar de forma integrada nas quatro modalidades preconizadas pelo Ministério da Saúde para Centros Especializados em Reabilitação tipo IV.

A composição da equipe atualmente alocada à unidade contempla fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, educadores físicos e equipe administrativa, somados ao corpo médico ampliado.

A oferta de consultas médicas em atenção especializada passa a contar com pelo menos 800 atendimentos por mês, conforme o Plano de Trabalho do CER. Trata-se de um patamar inédito, que se soma a um catálogo amplo de procedimentos diagnósticos especializados disponíveis localmente — evitando deslocamentos a Cacoal, Porto Velho ou outros centros para etapas como avaliação oftalmológica, audiológica e neuropsicológica.

ATENDIMENTO AO TEA NA AMAVI: MÉTODO ABA E ACOMPANHAMENTO INTEGRAL

A AMAVI fortalece o atendimento exclusivo a crianças, adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O grande diferencial em relação às terapias convencionais oferecidas pela rede pública está no método de abordagem: a entidade adota o método ABA (Análise do Comportamento Aplicada), reconhecido internacionalmente como uma das intervenções mais efetivas para o desenvolvimento de pessoas com TEA, e estrutura o cuidado em um modelo de acompanhamento integral.

Esse acompanhamento envolve uma equipe multiprofissional ampla — fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos — e, somando-se a ela, a figura dos assistentes terapêuticos, profissionais que acompanham diretamente o usuário ao longo das sessões e das atividades, oferecendo intervenção contínua e individualizada conforme o plano terapêutico de cada paciente. Completam o protocolo de cuidado as consultas médicas com profissional de neuropediatria, garantindo a interface entre avaliação clínica e abordagem terapêutica de cada caso.

VILHENA ASSUME UM PAPEL QUE O ESTADO NÃO COBRE

Há um aspecto da política pública que precisa ser dito com clareza: no estado de Rondônia não há ações estaduais específicas voltadas ao público com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Em Vilhena, é o município que assumiu essa frente, complementando a Rede de Atenção à Pessoa com Deficiência por meio do convênio com a AMAVI. Na prática, isso significa que o serviço prestado em Vilhena às famílias atípicas não tem equivalente direto no nível estadual — é o município, com recursos próprios, que sustenta uma linha de cuidado que outros entes federados ainda não estruturaram.

Esse arranjo dá ao convênio com a AMAVI uma importância que extrapola os limites administrativos da SEMUS: trata-se, na prática, de uma das únicas portas de entrada estruturadas para o cuidado especializado em TEA na região, atendendo também a famílias de municípios vizinhos do Cone Sul de Rondônia que recorrem a Vilhena por ausência de oferta no próprio território (Confira a matéria completa AQUI).

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