
O ex-governador Ivo Cassol já foi uma das principais lideranças políticas de Rondônia, com influência sobre alianças e candidaturas no estado.
Nas eleições de 2026, porém, os resultados dos candidatos que receberam seu apoio nominal não corresponderam às expectativas de quem ainda vê no ex-governador uma força capaz de transferir votos para outros nomes.
Impedido de disputar o pleito em razão de pendências eleitorais, Cassol participou da campanha apoiando candidatos a diferentes cargos. Entre eles estavam o ex-deputado federal Luiz Cláudio da Agricultura, candidato à Câmara dos Deputados; Mariana Carvalho, que disputou uma vaga no Senado; e Hildon Chaves, candidato ao Governo de Rondônia.
Nenhum dos três foi eleito. Os resultados levantam uma questão para o cenário político estadual: até que ponto o capital eleitoral construído por Cassol ao longo de sua trajetória ainda consegue influenciar as escolhas dos eleitores?
Um dos apoios públicos de Cassol foi direcionado a Luiz Cláudio da Agricultura, ex-deputado federal que tentou retornar à Câmara dos Deputados pelo PSD. Durante a campanha, o ex-governador divulgou mensagens recomendando voto no aliado.

Nas urnas, Luiz Cláudio recebeu 8.844 votos em Rondônia, resultado insuficiente para conquistar uma cadeira na Câmara Federal.
O desempenho mostra que o apoio de uma liderança conhecida não garante, por si só, uma votação capaz de assegurar a eleição. A candidatura também depende de fatores como a estrutura partidária, a campanha própria, a distribuição dos votos e a concorrência com outros nomes.
Na eleição para o Senado, Cassol declarou apoio a Mariana Carvalho, do Republicanos. A aproximação também tinha um componente familiar: o genro do ex-governador, Francisco Carlos Londe Raposo Junior, conhecido como Francisco Raposo Jr., era o primeiro suplente na chapa da candidata.
Apesar do apoio político e da participação de Cassol na campanha, Mariana terminou a disputa em quarto lugar, com 207.398 votos, e não conquistou a vaga no Senado.
O resultado teve repercussão também para os interesses familiares do ex-governador, já que Raposo Jr. integrava a chapa como primeiro suplente. Sem a eleição de Mariana, a candidatura não alcançou o resultado pretendido.
Na disputa pelo Governo de Rondônia, Cassol declarou apoio a Hildon Chaves, ex-prefeito de Porto Velho, que concorreu pelo União Brasil, com Cirone Deiró como candidato a vice-governador.
Hildon terminou a eleição em terceiro lugar, com 134.355 votos, equivalentes a 14,22% dos votos válidos. O resultado ficou distante dos 537.370 votos obtidos por Marcos Rogério, eleito governador no primeiro turno, e dos 189.547 votos de Adailton Fúria, segundo colocado.
Assim como nos casos de Luiz Cláudio e Mariana Carvalho, o candidato apoiado por Cassol não alcançou o objetivo eleitoral.
Os resultados de 2026 colocam em discussão a capacidade de Ivo Cassol de transferir seu capital político para candidatos aliados. Embora o ex-governador continue sendo uma figura conhecida no estado e participe das articulações eleitorais, os números desta eleição mostram que os apoios declarados não foram suficientes para garantir a vitória dos nomes citados.
Isso não significa, necessariamente, que Cassol tenha perdido toda a influência política. A votação de cada candidato é resultado de diversos fatores, e não há como atribuir os desempenhos exclusivamente ao apoio recebido do ex-governador. Ainda assim, os resultados oferecem elementos para avaliar os limites dessa influência nas urnas.
Com uma trajetória marcada por mandatos no Executivo estadual e no Senado, Cassol construiu uma presença relevante na política rondoniense. Em 2026, porém, os candidatos que ele apoiou nominalmente para deputado federal, Senado e Governo do Estado terminaram a eleição sem vencer.
O desempenho deixa uma questão para as próximas disputas: se o peso político de Ivo Cassol continua sendo relevante nos bastidores, sua capacidade de converter essa influência em votos para aliados parece menos evidente diante dos resultados desta eleição.









