terça-feira, 03 de novembro de 2026.

Embrapa lança plataforma que permite rastrear produção rural

Interface da Embrapa poderá ser conectada à plataforma AgroBrasil Mais Sustentável, e comprovar atendimento a requisitos ambientais e sanitários de compradores internacionais
Segundo Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, a plataforma funciona como um “passaporte digital do produto” — Foto: Fredox Carvalho/Pexels

Uma plataforma recém desenvolvida pela Embrapa permite rastrear a produção de soja, café e carne bovina, reunindo informações sobre a origem dos produtos e as condições de produção ao longo da cadeia.

Batizada de Embrapa Trace, a ferramenta busca auxiliar produtores e empresas a comprovarem o atendimento a exigências ambientais e sanitárias de mercados internacionais, como a lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR).

O sistema reúne informações declaradas por produtores e agroindústrias e valida certificações já existentes para gerar um parecer único de conformidade. Disponível no formato de API (Interface de Programação de Aplicações), a tecnologia permite acompanhar diferentes etapas da produção, desde o cadastro da propriedade e das áreas produtivas até o transporte, a armazenagem e o processamento dos produtos.

A plataforma está conectada a outras soluções da Embrapa, como o TerraClass, desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece dados sobre a dinâmica da cobertura e do uso da terra na Amazônia e no Cerrado. Outra integração é com o ElegiAgro, sistema que cruza informações cadastrais, fundiárias e geoespaciais para avaliar a conformidade agroambiental das propriedades.

Segundo Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, a plataforma funciona como um “passaporte digital do produto”, ao integrar informações de rastreabilidade e sustentabilidade em um único parecer. Os relatórios podem ser acessados por QR Code e podem fornecer fundamentação técnica tanto para negociações comerciais como para eventuais contestações de barreiras às exportações, segundo Alves.

A tecnologia será disponibilizada como parte da plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura. Enquanto a plataforma da Pasta reúne informações sobre a adequação socioambiental das propriedades, o da Embrapa Trace permite acompanhar a rastreabilidade da produção.

Para Eduardo Chikusa, chefe da Divisão de Comércio Internacional do Ministério das Relações Exteriores, a rastreabilidade atende exigências dos compradores internacionais. Segundo ele, a tecnologia funciona como “a ponte que conecta a sustentabilidade praticada no campo à confiança exigida pelos mercados globais”.

De acordo com a Embrapa, mais cadeias produtivas do agro devem ser incorporadas à plataforma, incluindo cacau, madeira, borracha, frango de corte, suínos e pescados, como atum e tilápia de aquicultura.

Um dos objetivos da ferramenta é auxiliar o setor agropecuário a cumprir a EUDR. A legislação exige que seis produtos agropecuários e seus derivados comercializados no bloco não estejam associados a áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.

A partir de 30 de dezembro de 2026, grandes e médios exportadores brasileiros deverão comprovar a conformidade ambiental dos produtos por meio da geolocalização das áreas de produção, da documentação da cadeia de fornecedores e de uma avaliação do risco de desmatamento. Para micro e pequenos produtores, o prazo para adequação à legislação vai até 30 de junho de 2027.

Os pesquisadores da empresa de pesquisa ressaltam que a ferramenta de rastreabilidade também pode atender a outras exigências internacionais, como as relacionadas ao controle de antimicrobianos na produção animal. Segundo a Embrapa, a integração de informações sobre origem, movimentação e processamento dos produtos amplia a capacidade de demonstrar o cumprimento dos requisitos exigidos pelos compradores internacionais.

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