terça-feira, 01 de setembro de 2026.

Jailton Delogo fala que os candidatos deveriam explorar mais a acessibilidade e a inclusão

"Não queremos ser lembrados apenas na eleição. Queremos propostas, compromisso e participação", afirma o comunicador

As eleições colocam nas ruas candidatos em busca de votos e apresentam à população uma série de propostas para áreas como, saúde, educação, segurança, infraestrutura e esporte.

Mas, para Jailton Delogo, existe uma parcela da sociedade que ainda recebe pouca atenção nos discursos eleitorais, as pessoas com deficiência.

De forma firme, mas respeitosa, Jailton defende que os candidatos precisam incluir a acessibilidade e a inclusão entre suas prioridades e apresentar propostas objetivas para melhorar a vida dessa população.

“Eu acredito que os candidatos precisam olhar com mais atenção para as pessoas com deficiência. Não basta falar que são a favor da inclusão. É preciso dizer o que será feito, como será feito e quais serão as prioridades”, afirma.

Para Delogo, problemas conhecidos há anos, continuam sem respostas satisfatórias. Rampas, calçadas acessíveis, transporte coletivo adaptado, comunicação em Libras e acesso ao esporte e ao lazer, deveriam fazer parte dos compromissos apresentados durante a campanha.

“Quando se fala em infraestrutura, é preciso lembrar que uma obra só é verdadeiramente boa quando também pode ser utilizada por uma pessoa com deficiência. Não adianta construir uma calçada bonita, se uma pessoa em cadeira de rodas não consegue passar. Não adianta falar em transporte público se ele não oferece condições adequadas de acessibilidade”, ressalta.

Inclusão precisa sair do discurso, o ativista também questiona a pouca presença de propostas específicas para esse segmento nos debates eleitorais.

“Estamos cansados de ouvir apenas discursos genéricos. A pessoa com deficiência precisa saber qual é o projeto daquele candidato para ela. Queremos saber sobre mobilidade, educação, trabalho, esporte, lazer, saúde e participação social. Isso precisa estar claro”, afirma.

Segundo o entrevistado, a inclusão não pode aparecer apenas como um tema de campanha. Para ele, deve fazer parte do planejamento e das ações de governo durante todo o mandato.

“Não estou dizendo que todos os candidatos ignoram essa questão. O que estou dizendo é que precisamos avançar. Precisamos de mais propostas e de mais diálogo com quem vive essa realidade diariamente”, explica.

Não basta visitar, é preciso ouvir outro ponto destacado pelo estudioso nesse assunto, é a aproximação dos candidatos com instituições, associações e famílias durante o período eleitoral.

“Visitar uma instituição é importante. Conversar com uma família é importante. Mas isso não pode acontecer somente porque estamos em época de eleição. É preciso ouvir essas pessoas antes, durante e depois da campanha”, defende.

Para ele, conhecer a realidade das pessoas com deficiência é fundamental para construir políticas públicas que realmente funcionem.

“Quem quer apresentar uma proposta para essa população precisa ouvir quem vive os problemas. É dessa conversa que podem nascer soluções melhores e mais eficientes”, afirma.

Um eleitorado que precisa ser respeitado, o Dr. também chama atenção para a força política das pessoas com deficiência e de suas famílias.

“Existe um número expressivo de pessoas que votam. E precisamos lembrar que cada eleitor tem uma família, tem amigos e tem pessoas próximas. Portanto, esse assunto não interessa somente a pessoa com deficiência. Interessa a sociedade”, destaca.

Na avaliação de Jailton, que também é PCD, o eleitor deve analisar as propostas antes de escolher seus representantes.

“Não podemos votar apenas porque alguém fez uma promessa bonita. Precisamos olhar o histórico, conhecer as propostas e perguntar o que esse candidato pretende fazer pela acessibilidade e pela inclusão?”, questiona.

“Nosso lugar não é onde querem nos colocar”

Jailton Delogo acredita que a mudança passa também pela união e pela consciência política das próprias pessoas com deficiência.

“Nosso lugar não é onde querem nos colocar. Nosso lugar é onde podemos chegar. E nós podemos chegar muito mais longe quando estamos unidos”, afirma.

Para ele, o voto consciente pode contribuir para uma mudança na maneira como as políticas públicas são pensadas.

“Se votarmos de forma consciente, podemos ajudar a escolher representantes que realmente compreendam as nossas necessidades. Não queremos privilégios. Queremos respeito, oportunidade, autonomia e direitos”, concluiu.

A cobrança é direta, mas o objetivo, segundo Delogo, não é atacar candidatos. É chamar atenção para uma realidade que precisa estar no centro das decisões públicas. Acessibilidade não deve ser promessa de campanha. Deve ser compromisso de governo. Porque, para quem enfrenta barreiras todos os dias, esperar mais quatro anos por acessibilidade não é uma opção.

Se você deseja acompanhar ou saber mais sobre o tema “Pessoa com Deficiência”, basta acessar o perfil @jailtondelogo:

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