
A forte alta do diesel no Brasil ganhou novos desdobramentos e passou a preocupar ainda mais o cafeicultor com a proximidade da colheita da safra 2026/27.
O movimento, inicialmente associado ao conflito no Oriente Médio, agora se espalha por diferentes elos da cadeia produtiva, ampliando os desafios dentro e fora da porteira.
Segundo pesquisadores do Cepea, o impacto direto já é sentido nas operações mecanizadas, cada vez mais presentes nas lavouras. Com o avanço da colheita com máquinas, a dependência do diesel aumentou significativamente, tornando o custo do combustível um dos principais pontos de atenção neste momento. Dados da ANP mostram que, apenas em março, o diesel subiu 23% em Minas Gerais, 20% em São Paulo e 12% no Espírito Santo, reforçando a pressão sobre os custos operacionais.
A projeção é de que, mantido esse cenário, o custo da colheita possa aumentar cerca de 15%, refletindo exclusivamente o encarecimento do combustível nas operações mecânicas.
Mas o impacto não para dentro da fazenda. Fora dela, o aumento do diesel já começa a afetar o transporte e a logística do agro. Levantamentos recentes indicam que o custo do frete rodoviário subiu até 7% em março, pressionado pela alta do combustível, o que pode encarecer tanto o envio da produção quanto a chegada de insumos.
Esse movimento ocorre porque o diesel tem peso relevante na cadeia logística. O combustível representa cerca de 35% do custo do frete no Brasil, o que faz com que qualquer oscilação tenha efeito direto sobre o escoamento da produção agrícola.
No cenário macro, o avanço dos preços está ligado à escalada das tensões no Oriente Médio, que impactam o mercado global de petróleo. Desde o início do conflito, o diesel já acumula alta próxima de 20% no Brasil, refletindo a dependência do país de importações para suprir parte da demanda interna.
Além disso, cerca de 25% do diesel consumido no país é importado, o que aumenta a exposição às oscilações internacionais de preço e reforça a volatilidade no mercado doméstico.
Diante desse cenário, especialistas apontam que o produtor rural precisa redobrar a atenção no planejamento da colheita. A recomendação é revisar o uso de máquinas, otimizar operações e avaliar o momento de compra de combustível, sempre que possível, para reduzir impactos no custo final.
Outro ponto de atenção é o calendário logístico. Com fretes mais caros e tendência de novas altas, antecipar contratos ou travar custos pode ser uma alternativa para minimizar riscos, especialmente em regiões mais distantes dos portos.
Apesar da pressão, o Cepea ressalta que o aumento do diesel não se traduz automaticamente em alta proporcional no preço da saca de café, já que o impacto está concentrado na etapa de colheita. Ainda assim, o cenário reforça um ambiente de margens mais apertadas e exige maior eficiência do produtor em um momento decisivo da safra.












