Quando o assunto é saúde, muitas pessoas acreditam que só precisam agir quando o problema se instala.
Enquanto exames ainda “não acusam nada” ou enquanto os sintomas parecem toleráveis, a tendência é seguir como está. O que poucos percebem é que, nesse intervalo silencioso, o corpo já está pagando um preço.
Na nutrição e no comportamento alimentar, esse custo raramente aparece de forma imediata. Ele se acumula. Pequenos excessos, carências nutricionais persistentes, horários irregulares, sono insuficiente e estresse contínuo não provocam colapsos repentinos — provocam desgaste progressivo.
O CORPO SE ADAPTA, MAS NÃO SE ENGANA
O organismo humano é extremamente adaptável. Ele compensa, redistribui energia, reduz gastos metabólicos e tenta manter o equilíbrio. Mas adaptação não é sinônimo de saúde. Muitas vezes, é apenas sobrevivência.
Quando a alimentação deixa de oferecer os nutrientes necessários, o corpo retira reservas. Quando o estresse se torna rotina, os sistemas hormonais entram em alerta constante. Quando a inflamação é mantida por hábitos repetidos, ela passa a fazer parte do “normal” — até deixar de ser.
É nesse ponto que surgem sinais frequentemente banalizados: cansaço persistente, dificuldade de concentração, alterações intestinais, compulsões alimentares, queda de imunidade, dores difusas e mudanças no peso que parecem inexplicáveis.
O COMPORTAMENTO ALIMENTAR COMO ESPELHO EMOCIONAL
Não se trata apenas do que se come, mas de como e por que se come. O comportamento alimentar reflete o ritmo de vida, o nível de estresse e a relação com o próprio corpo. Ignorar esses sinais costuma ser mais confortável no curto prazo do que enfrentá-los.
Manter padrões que já não funcionam exige esforço. Comer mal não é neutro. Pular refeições não é inofensivo. Usar alimentos como anestesia emocional cobra seu preço mais cedo ou mais tarde — muitas vezes na forma de desregulação metabólica e sofrimento psicológico.
QUALIDADE DE VIDA NÃO SE CONSTRÓI DEPOIS
Existe a ideia equivocada de que primeiro se resolve “a vida” e depois se cuida da saúde. Na prática, é o oposto. Sem saúde, o resto se torna mais difícil, mais lento e mais pesado.
Mudar hábitos não precisa ser radical, mas precisa ser consciente. Ajustes feitos no tempo certo preservam autonomia, disposição e clareza mental. O problema não está em não ser perfeito, mas em insistir por anos em um modelo de vida que já mostra sinais de falência.
O CUSTO REAL DA PERMANÊNCIA
Adiar mudanças na alimentação e no estilo de vida parece confortável, mas o custo aparece de outras formas: mais consultas médicas, uso precoce de medicamentos, redução da energia vital, dificuldade de manter foco, prazer e produtividade.
A conta da não mudança raramente chega de uma vez. Ela chega parcelada, silenciosa e cumulativa. E quando finalmente se torna evidente, exige muito mais do que simples AJUSTES.
UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA
Talvez a pergunta mais importante não seja “o que vou ter que abrir mão se mudar meus hábitos?”, mas sim:
o que já estou abrindo mão ao continuar exatamente como estou?
Na saúde, mudar não é perder. É preservar.
E, muitas vezes, o maior risco não está na mudança — está na permanência.
Dra. Keila Geremia
Nutricionista Integrativa
Instagram: @drakeilageremia














