O XRP chegou a US$ 3,66 no ano passado. Em agosto de 2026, está em US$ 1,04. A diferença não é sinal de colapso, é o comportamento típico de um ativo que subiu 790% em menos de um ano e está a digerir esse movimento. O mais interessante não é a queda em si, mas o que aconteceu dentro dela: aprovação de ETFs, encerramento de um processo legal que travou o token por anos, e os primeiros sinais de adoção institucional real em corredores de pagamento internacionais.
A correção veio a seguir a um ciclo que poucos esperavam. O XRP passou boa parte de 2024 abaixo de US$ 0,60, depois disparou no final do ano e no início de 2025 à medida que o ambiente regulatório americano começou a mudar. Quem entrou no pico ainda está no vermelho. Quem entrou antes tem posição confortável, independentemente do que aconteça nos próximos meses.
Em reais, a referência do XRP hoje fica em torno de R$ 5,30 por unidade, com o dólar comercial próximo de R$ 5,10. A capitalização de mercado do ativo está em US$ 63,28 bilhões, com volume diário de negociação de aproximadamente US$ 987 milhões. Importa agora perceber o que ele faz na prática. Venha daí!
O que o XRP faz na prática
O token foi criado para resolver um problema específico: o custo e a lentidão das transferências internacionais. O sistema bancário tradicional trata remessas entre países como operações complexas que passam por múltiplos intermediários, levam dias e cobram taxas em cada etapa. No Brasil, num contexto em que os juros das famílias chegam a 64% ao ano e o custo financeiro de qualquer operação é elevado, isso tem peso real para empresas que operam com fornecedores ou clientes no exterior.
O XRP Ledger liquida transações em três a cinco segundos, por frações de centavo. O modelo é o de ativo de ponte: numa remessa do real para o iene, o banco converte reais em XRP, transfere em segundos, e o destinatário converte para ienes. Mais de 300 instituições financeiras já usam a rede. Os primeiros corredores integrados ao SWIFT entraram em operação em meados de 2026, com volume real a começar a fluir em rotas da Ásia.
O que mudou no lado legal
Em agosto de 2025, a SEC encerrou o processo judicial que tinha travado o XRP durante anos. A decisão estabeleceu que o token não é um valor mobiliário quando negociado em exchanges públicas. Foi esse ponto que desbloqueou a aprovação dos ETFs spot em novembro.
Os ETFs captaram US$ 1,06 bilhão nos primeiros 24 dias. No acumulado até julho de 2026, ultrapassaram US$ 1,49 bilhão. São valores mais discretos que os ETFs de bitcoin, mas o perfil do capital é diferente: conservador, institucional, de longo prazo. Julho foi o pior mês do ano para esses produtos, com fluxo zero em dez dos dezassete pregões e uma saída líquida de US$ 3,58 milhões no início de agosto. A sazonalidade histórica do XRP em agosto é a pior do calendário, com quatro anos consecutivos de fechamento negativo.
O Clarity Act e setembro
O próximo evento com potencial de mover o XRP de forma estrutural é legislativo. O Clarity Act, que classifica o XRP como commodity digital e define as regras para o setor, volta ao Senado americano em 15 de setembro. A aprovação exige 60 votos, e com os republicanos a ter 53 cadeiras, pelo menos seis democratas terão de votar a favor. Um impasse sobre se senadores podem deter criptoativos durante o mandato está a travar as negociações. A probabilidade de aprovação em 2026 caiu de mais de 70% em fevereiro para cerca de 14% agora.
A classificação como commodity digital tem consequências práticas que vão além do preço. Ela define qual agência federal regula o ativo, remove a ambiguidade jurídica que ainda impede algumas gestoras de ampliar exposição ao XRP, e abre espaço para que fundos de pensão e seguradoras incluam o token em carteiras sem o risco de enquadramento pela SEC. É exatamente esse universo de capital que os ETFs atuais não conseguem acessar plenamente.
Se o Clarity Act avançar, as projeções do setor colocam o XRP entre US$ 5 e US$ 8. Se o impasse persistir até ao final do ano, o consenso aponta para consolidação entre US$ 1,05 e US$ 1,72.
O suporte técnico crítico está em US$ 1,00. Uma perda desse nível com volume abre caminho para US$ 0,80. Do outro lado, um fecho semanal acima de US$ 1,22 muda o quadro para um cenário mais construtivo. A alavancagem nos derivativos recuou para mínimos de início de 2024, o que reduz o risco de quedas bruscas por liquidações em cascata mas também limita recuperações rápidas sem um gatilho externo claro. O mercado está à espera. Setembro vai dizer se a espera valeu.








