segunda-feira, 19 de outubro de 2026.

União Europeia deve decidir até novembro se libera aves e mel do Brasil

Secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricltura, Augusto Billi, esteve em Bruxelas, capital da Bélgica, para tratar do assunto
Estande da ABPA na Sial Paris. Indústria está na expectativa da liberação da União Europeia — Foto: Raphael Salomão/Ed. Globo

O governo brasileiro espera a liberação das exportações de carne de aves e de mel para a União Europeia até novembro.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi, esteve em Bruxelas, capital da Bélgica, onde tratou do assunto, e avalia de forma positiva as negociações com autoridades do bloco.

A União Europeia suspendeu as compras de produtos de origem animal do Brasil desde 3 de setembro alegando que o país não conseguiu comprovar o controle sobre o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.

A reinclusão do Brasil na lista de fornecedores aptos a exportar ao bloco depende do aval do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff), que se reúne entre amanhã (20) e quarta (21) e em novembro.

O Brasil já obteve um parecer favorável de autoridades europeias, após uma missão técnica inspecionar unidades de produção e o sistema sanitário no país em agosto. A conclusão foi a de que os segmentos de aves e mel brasileiros demonstraram ter condições de garantir a não utilização de antimicrobianos. É esse parecer que passará pela validação do Scopaff.

“O relatório favorável ao Brasil será apresentado. Eles vão tomar conhecimento para decidir na reunião de novembro. Não souberam me precisar a data, mas estamos crendo que para dezembro essa decisão já esteja publicada e o Brasil poderia retomar as exportações”, disse Billi, no sábado (17), ao participar de cerimônia de abertura do espaço brasileiro no Sial Paris, feira internacional do setor de alimentos que vai até a próxima quarta-feira (21), na capital francesa.

Também no Sial Paris, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, disse considerar que a situação com os europeus é burocrática e está resolvida. “O Brasil não tem nenhuma violação de nada para a Europa. Vamos continuar essa parceria de muito tempo”, afirmou no sábado.

Ontem (18), em conversa com jornalistas nos estande da ABPA na Sial, Santin disse esperar que as autoridades da UE tomem uma decisão técnica sobre a liberação das exportações. “Não vejo a possibilidade de uma decisão política contrária a um argumento técnico bem colocado. Temos confiança no sistema europeu e seu funcionamento, mas se vier uma decisão que não seja técnica, vamos procurar o governo para que responda”, disse.

Ele acrescentou que a indústria de carne de frango está pronta para recomeçar os embarques para a União Europeia “no dia seguinte” à liberação. E informou que o setor não interrompeu a produção destinada ao bloco.

Para a carne bovina do Brasil, porém, a expectativa é de demora na retomada das vendas ao mercado europeu. Também na Sial, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou que a UE representa cerca de 5% do volume de carne bovina exportada pelo Brasil. Mas é importante como formadora de preço.

“Estamos tentando dialogar com o governo europeu, junto com o governo brasileiro, para que se tire a restrição da União Europeia. Os governos estão conversando, os setores privados estão conversando para que possamos o mais rápido possível retomar o fluxo comercial”, afirmou Perosa.

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