
Em entrevista coletiva realizada neste sábado, 4, o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro (Podemos), fez duras críticas à forma como o governo de Rondônia tentou assumir o Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira.
Para o gestor, a iniciativa foi precipitada, sem planejamento e poderia ter colocado em risco a vida de pacientes e a continuidade dos serviços essenciais.
Flori lembrou que há mais de duas décadas Vilhena sustenta, com recursos próprios, uma estrutura que deveria ter sido sempre responsabilidade do Estado.
Segundo ele, essa obrigação drenou investimentos que poderiam ter sido aplicados em infraestrutura, escolas e serviços básicos. “Nenhuma cidade deveria carregar sozinha um Hospital Regional. Fizemos isso por anos e, quando conseguimos organizar a gestão com a Santa Casa de Chavantes, o Estado aparece para tentar tomar à força”, afirmou.
O prefeito afirmou que a Santa Casa conseguiu avanços importantes, mesmo diante de atrasos constantes nos repasses estaduais. Ele criticou o fato de a substituição ter sido tentada sem inventário patrimonial, sem passagem de plantão e sem aviso prévio à prefeitura ou à própria entidade. “Vieram com um papelinho de duas páginas e queriam substituir 700 colaboradores por 25 pessoas. Quem iria assumir a UTI, a farmácia, a maternidade? Era uma completa irresponsabilidade”, disse.
Flori relatou ainda episódios graves durante a intervenção, como o caso em que uma funcionária da Santa Casa teria sido trancada em uma sala e pressionada a assinar uma notificação. Para o prefeito, esse tipo de conduta demonstra a falta de preparo e de respeito do governo estadual.
Ele reforçou que o hospital já é, por contrato, responsabilidade do Estado, mas que a transição precisa ser feita de forma gradual e planejada. “Não negamos que o hospital é do Estado. O que exigimos é que se cumpra a lei e que a população não seja colocada em risco por uma decisão política precipitada”, declarou.
JUSTIÇA E TRIBUNAL DE CONTAS
O prefeito também citou as decisões recentes da Justiça e do Tribunal de Contas do Estado, que suspenderam a ordem de desocupação e a contratação emergencial do Instituto PATRIS (leia mais AQUI).
O TCE apontou que a nova entidade custaria pelo menos R$ 12 milhões a mais por ano e que o Estado já enfrenta um déficit de R$ 877 milhões na saúde. “Não sou eu quem está dizendo, é o Tribunal de Contas. Eles viram que essa pressa não fazia sentido e que a empresa escolhida sequer demonstrou qualificação técnica para assumir um hospital dessa complexidade”, ressaltou.
Flori concluiu afirmando que a prefeitura está pronta para recorrer ao Judiciário caso o governo insista em medidas ilegais. “Temos todos os instrumentos jurídicos e assinaturas necessárias. Se o Estado quiser assumir, que faça dentro da legalidade. O hospital já é deles, mas não podem colocar em risco a vida dos vilhenenses e de todo o Cone Sul por uma decisão política mal conduzida”, finalizou.













