
Após mais de 40 anos de muito esforço, dedicação e sacrifício das famílias produtoras de Rondônia — especialmente da agricultura familiar — o estado alcançou um expressivo desenvolvimento agropecuário.
Esse avanço tem impulsionado a economia, gerado empregos, fortalecido comunidades rurais e garantido oportunidades para milhares de famílias que vivem da terra.
Somente na citricultura (laranja, limão, poncã etc.), Rondônia conta hoje com mais de 33 mil produtores, muitos deles comercializando sua produção e complementando a renda familiar com o fruto de seu próprio trabalho.
Nos últimos seis anos, Rondônia dobrou o Valor Bruto da Produção Agropecuária, resultado direto de políticas públicas de incentivo e, sobretudo, da força de vontade dos produtores rurais, que enfrentam sol, chuva, desafios logísticos e riscos sanitários para manter suas lavouras produtivas.
Atualmente, o estado possui em torno de 70 agroindústrias que dependem da fruticultura, envolvendo majoritariamente agricultores familiares, cujo sustento e futuro dependem da sanidade das plantações.
Todo esse esforço — décadas de trabalho árduo, de famílias que constroem o desenvolvimento do estado com as próprias mãos — é colocado em risco quando mudas sem certificação sanitária entram ilegalmente em Rondônia. Essas mudas, vindas de estados onde há pragas agrícolas ausentes em nosso território, representam uma ameaça direta à produção, à renda e ao futuro de milhares de famílias rurais.
O Estado de São Paulo, um dos maiores produtores de citrus do mundo, enfrenta hoje sérios impactos causados pela disseminação de pragas, especialmente o HLB (Greening). A doença tem provocado mudanças profundas no mapa da citricultura brasileira, levando produtores a migrarem para estados ainda livres da praga. Essa realidade cria uma oportunidade para Rondônia expandir sua produção de citros — mas isso só será possível se o estado permanecer livre dessas pragas devastadoras.
A Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) reforça que o transporte de qualquer tipo de planta ou muda deve obedecer rigorosamente às normas fitossanitárias. É indispensável a apresentação de documentos que comprovem a origem, a qualidade e a ausência de pragas capazes de comprometer a produção agrícola.
A Idaron destaca a obrigatoriedade da nota fiscal emitida por viveiro registrado, do termo de conformidade, que atesta a qualidade das mudas, e da Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV), que certifica que o material está livre de pragas de importância econômica. Para mudas provenientes de outros estados, especialmente cítricas, também é exigida a Autorização de Importação de Mudas, emitida pela própria agência.
O alerta foi reforçado após a apreensão de diversas mudas frutíferas na manhã da quinta-feira (22), no município de Vilhena. O material não possuía qualquer documentação fitossanitária, representando alto risco de introdução de pragas. Informações preliminares indicam que as mudas teriam origem no estado de São Paulo, região com ocorrência de pragas que atacam culturas cítricas e que não existem em Rondônia.
Apenas um vendedor ambulante, agindo de forma irregular, pode colocar a perder o trabalho, o planejamento e o sonho construído ao longo de mais de 30 anos por milhares de famílias rurais.
Conforme a legislação vigente, todo material vegetal apreendido nessas condições deve ser destruído como medida de proteção sanitária. A Idaron orienta que, antes de adquirir mudas de outros estados, o produtor verifique se o viveiro fornecedor está devidamente registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e procure uma unidade da agência para solicitar a autorização necessária, quando exigida.
A Idaron lembra ainda que, durante o transporte, as mudas devem estar sempre acompanhadas da documentação obrigatória. A legislação fitossanitária proíbe a comercialização ambulante de sementes, mudas, partes de vegetais e insumos agrícolas em Rondônia. Nessas situações, o material é imediatamente incinerado, sem direito a indenização ao infrator. A única exceção ocorre quando as mudas possuem certificação fitossanitária.











