terça-feira, 25 de agosto de 2026.

Mãe questiona circunstâncias da morte do filho de 2 anos e cobra investigação em Cerejeiras

“Enterrei meu filho, mas não vou enterrar as perguntas”, diz Monique Sousa
Monique acredita que possa ter ocorrido falha no atendimento inicial / Foto: Divulgação

Mais de um mês após enterrar o filho, Augusto Oliveira Sousa, de apenas 2 anos, 8 meses e 18 dias, Monique Natany Costa Sousa ainda busca respostas sobre o que aconteceu entre o primeiro atendimento da criança, na noite de 11 de julho, no Hospital Municipal São Lucas, em Cerejeiras, e sua morte, na manhã de 13 de julho.

Augusto nasceu em 25 de outubro de 2023 e morreu após uma rápida deterioração clínica.

Em declaração ao Extra de Rondônia, Monique afirma suspeitar que possa ter ocorrido falha no atendimento inicial, mas ressalta que não pretende antecipar conclusões.

“Eu não quero que alguém diga que houve imperícia simplesmente porque estou dizendo. Quero que profissionais independentes analisem. Se estava tudo correto, que os documentos mostrem. Mas, se houve falha, eu quero saber”, afirma.

PRIMEIRO ATENDIMENTO

Segundo documentação preliminar à qual Monique teve acesso, Augusto deu entrada no pronto-socorro às 19h10 de 11 de julho. Na triagem, constava febre havia cerca de três dias. A criança pesava 13,5 quilos, apresentava temperatura de 36,1°C, frequência cardíaca de 111 batimentos por minuto e saturação de oxigênio de 97%.

A avaliação médica registrou febre e tosse noturna havia quatro dias. O exame físico descreveu Augusto como “corado, hidratado, afebril”, com ausculta pulmonar sem alterações. O diagnóstico registrado foi amigdalite aguda, com indicação de tratamento domiciliar com amoxicilina, ibuprofeno e dipirona.

Monique afirma, porém, que o filho vinha ingerindo pouca água e que a consulta foi rápida. Ela também lembra de ter questionado sobre os pulmões da criança. “A médica me disse que o pulmão do meu filho estava ótimo. Eu confiei naquela avaliação”, disse.

PIORA RÁPIDA E MORTE

No dia seguinte, ela disse que Augusto apresentou forte piora. Posteriormente, teria sido diagnosticado com pneumonia lobar, com saturação de oxigênio em torno de 83%.

O quadro evoluiu para insuficiência respiratória, necessidade de intubação e cuidados intensivos. E também foram identificadas sepse grave com choque, insuficiência renal aguda, acidose metabólica e coagulação intravascular disseminada. Augusto morreu na manhã de 13 de julho.

A rapidez da evolução é um dos principais motivos pelos quais Monique pede uma análise técnica do atendimento inicial. “Como o pulmão estava ótimo na noite anterior e, poucas horas depois, ele estava com pneumonia lobar, saturando 83% e sendo intubado?”, questiona.

A mãe reconhece que uma evolução rápida, por si só, não comprova erro médico. Por isso, defende que especialistas independentes analisem o prontuário, exames, horários, condutas e evolução clínica.

DOCUMENTOS E RADIOGRAFIAS

Outro ponto levantado pela família envolve duas radiografias de tórax, uma em posição AP e outra em perfil, relacionadas ao atendimento de 11 de julho e registradas como anexadas ao prontuário em 12 de julho, às 13h01.

Monique solicitou os pedidos originais dos exames, horários de solicitação e realização, identificação dos profissionais, imagens e eventuais laudos. Também pediu registros de auditoria do sistema eletrônico para verificar quando os documentos foram inseridos e quais usuários realizaram as operações. “Eu não quero suposição. Eu quero uma linha do tempo: saber o que aconteceu, a que horas e quem fez cada coisa”, exige.

PRONTUÁRIO E TRANSFERÊNCIA

Em requerimento protocolado no hospital em 20 de julho, a mãe solicitou a íntegra dos registros dos atendimentos dos dias 11 e 12, incluindo triagem, sinais vitais, avaliações médicas e de enfermagem, medicamentos, exames, resultados, encaminhamentos e alta.

Segundo Monique, até o momento recebeu apenas documentação parcial. Ela também solicitou a preservação das imagens das câmeras de segurança do hospital, para auxiliar na reconstrução da cronologia do atendimento.

Os questionamentos incluem ainda a transferência da criança após o agravamento do quadro. Segundo a mãe, houve dificuldade relacionada ao fornecimento de oxigênio durante o transporte e demora na definição de uma unidade de referência. “Eu estava vendo meu filho morrer e, ao mesmo tempo, vendo uma estrutura inteira tentando descobrir para onde ele poderia ir. Uma criança grave não tem tempo”, reclama.

“EU QUERO SABER A VERDADE”

Monique afirma que pretende recorrer, se necessário, a órgãos de fiscalização profissional, Ministério Público, perícia independente e Justiça.

Ela também rejeita comentários que tenham colocado em dúvida os cuidados que oferecia ao filho. Segundo ela, Augusto tinha acompanhamento médico e as vacinas estavam atualizadas, embora exista informação preliminar no registro indicando o contrário. “Meu filho era cuidado. Eu procurei atendimento quando ele precisou”, garante.

Técnica em Segurança do Trabalho, Monique compara o caso à investigação de acidentes profissionais: o objetivo, segundo ela, não é apontar previamente um culpado, mas descobrir o que aconteceu e evitar que se repita. “Eu não consegui salvar o Augusto. Mas talvez descobrir a verdade sobre o que aconteceu com meu filho possa ajudar a salvar o filho de alguém”, analisa.

Para a mãe, Augusto não pode ser resumido a números ou estatísticas. “Ele tinha nome. Ele tinha uma vida. Ele era amado. Ele era bem cuidado. Ele era o meu filho. Agora quero respostas”, finalizou.

 

 

 

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