sexta-feira, 29 de maio de 2026.

Operação “Joio”: PC cumpre mandados em Vilhena e região contra esquema de desvio e receptação de grãos

Ação desarticulou grupo criminoso que furtava soja e milho de armazéns no Cone Sul e usava empresa fantasma para "esquentar" as cargas
Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Estado de Rondônia, por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Vilhena, deflagrou na manhã desta sexta-feira, 29 de maio, a Operação “Joio”.

A ofensiva cumpre mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara de Garantias da Capital, com o objetivo de desarticular um esquema organizado de furto, receptação e comercialização ilícita de grãos produzidos na região do Cone Sul.

No total, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços estratégicos localizados nas cidades de Vilhena, Chupinguaia e Porto Velho.

Os alvos da operação incluem um empresário/produtor rural, um classificador de grãos e ex-funcionários do próprio armazém de onde o produto era desviado. A ação visa recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos de prova.

ENTENDA O CASO

As investigações tiveram início em março de 2025, após a Polícia Civil receber a denúncia de que quatro cargas de soja e duas de milho haviam sido furtadas de um armazém situado no município de Chupinguaia. A partir dos dados fornecidos pela vítima, os agentes conseguiram mapear a dinâmica do grupo criminoso.

O esquema funcionava por meio do aliciamento de funcionários dos armazéns. Esses trabalhadores facilitavam o acesso dos criminosos às balanças de pesagem de caminhões que utilizavam, em tese, ordens de carregamento legítimas emitidas por transportadoras. Dessa forma, os grãos saíam do armazém da vítima sem a devida nota fiscal.

EMPRESA FANTASMA E NOTAS “FRIAS”

Para dar aparência de legalidade ao produto furtado, as cargas eram posteriormente “esquentadas” com notas fiscais emitidas por uma empresa de fachada. Segundo a polícia, a empresa existia apenas no papel: possuía CNPJ ativo, mas nunca operou fisicamente no endereço indicado nos registros cadastrais da Receita Federal, da Junta Comercial e da Prefeitura de Vilhena.

Nesse esquema, a empresa fantasma emitia as notas fiscais dos grãos desviados diretamente para um empresário e produtor rural baseado em Porto Velho. Este, por sua vez, repassava a soja e o milho para terceiros no mercado, comercializando os produtos como se tivessem sido cultivados e colhidos em sua própria fazenda.

De acordo com a Polícia Civil, outras diligências investigativas continuam em andamento com a finalidade de apurar e responsabilizar individualmente todos os envolvidos no esquema de fraude e furto de grãos na região.

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